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segunda-feira, 18 de abril de 2011

O que é o amor?

Ouvi certa vez, que quando não se ama
senti-se um vazio cá dentro do peito.
Será o amor por outrem o motivo de existir?
Então, seria certo dizer:
"Amo, logo existo".
E quando o amor nos escapole, deixamos ir...
O que somos então?
Nego esta, que parece uma fatalidade.
Preciso existir sem amor.
Porque amar se aprende amando, como diz Drummond.
E quantos amores serão preciso para aquietar meu coração?
Como saber se enfim aprendi a amar...
Se para Vinícius  que "o amor seja eterno enquanto dure".
E quanto tempo é isso?
Que medida? Quanto tempo 'o tempo de amar' pode caber?
Se amo, mas não amo igual a você.
E se meu amor intenso e turvo pode perecer.
Quem sou eu afinal quando não habita em mim o amor?
Preciso existir sem amor, rogo novamente.
Pois, já não tenho certeza se sei amar com tantas cicatrizes.
Ou se essa dor me ensinou a acolher a diferença que existe entre mim e você.
Ou se preso ainda estou ao paraíso que um dia vivi.
Que só em grito a liberdade se fez, uma liberdade estranha, que parece revirar minhas entranhas para sair.
É ilusão o que doravante sinto?
O que fez de mim esse caminho? Que sou capaz de ser o que dante nunca havia sido.
O que é o amor?
É essa mistura de tormenta com placidez.
Não! O amor não é esta aflição. Não o amor correspondido.O amor solitário, então.
Hei de amar apenas um outro que me ame, me entregar àquela que se lance.
Para dançar sem tocar o chão.

Autor do texto: Manuel Aliguiere
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